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Notícia

Agroicone participa de seminário do Centro Brasileiro de Relações Internacionais sobre balanço da COP21

17/12/2015

No seminário promovido pelo CEBRI, a diplomacia brasileira teve papel mediador importante.

Nesta terça-feira, dia 15, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), um dos principais thinks tanks do mundo, reuniu especialistas para fazer um balanço sobre a COP21, que encerrou no sábado, dia 12, em Paris. O acordo assinado por 195 países para que a temperatura média do planeta sofra uma elevação abaixo de 2°C, com esforço para limitar até 1,5°C, foi considerado um avanço, principalmente se comparado com o Protocolo de Quioto.

Rafael Benke, presidente do Conselho Curador do CEBRI, ressaltou a importância do modelo multilateral. Benke lembrou que às vésperas de das reuniões em Paris o atentado colocou em dúvida a segurança da Conferência, mas para ele foi “muito positivo ver que 195 países chegaram a um denominador comum.”

Clarissa Lins, economista e sócia fundadora da Catavento Consultoria, mediou o evento. , Além do resultado propriamente dito da Conferência, destacou as intenções contidas no acordo de Paris, ressaltando que “a COP21 foi um momento único, de grande mobilização, que indica um caminho, mas o ritmo tem que ser dado pelas empresas, prefeituras e governos.”

“Uma das frases que li e que mais gostei foi que o momento político de Paris foi o combustível, ao passo que o acordo feito torna-se o mecanismo necessário para a economia de baixo carbono”, mencionou Clarrisa. “Se olharmos para setor privado, temos uma série de compromissos assumidos. Grandes empresas montaram uma coalisão para anunciar que também pretendem ter suas fontes de suprimentos de energia 100% renováveis até 2050. E estamos falando de Microsoft, Google, Coca-Cola, gigantes que lideram movimentos e que são influenciadores de toda uma extensa cadeia produtiva, em vários lugares do mundo.”

Já Branca Americano, do Programa da Política Climática do Instituto Clima e Sociedade, destacou a atuação do Brasil. “A diplomacia brasileira, da qual sempre fui muito crítica, fez de tudo para avançar, resolver, saber onde estavam bloqueando, e evitar que os países ficassem recolocando suas posições. Atuaram de maneira firme, maravilhosa, e agora cabe-nos cobrar que mantenham essa postura para regulamentação a partir do ano que vem. E o grande desafio é a implementação internamente”, apontou Branca.

Segundo Fabio Scarano, diretor executivo da Fundação Brasileira para Desenvolvimento Sustentável, o senso de urgência dos temas abordados é grande. Ele destacou que essa é a primeira geração que sente os impactos e a última que pode fazer alguma coisa.

“Se continuar assim, chegaremos a 2100 com 4 a 5 graus a mais, o que terá efeito direto sob a saúde das pessoas. Para os mais vulneráveis, 2 graus já será o limite. E quem são os mais vulneráveis às mudanças climáticas? Os pobres e os locais que perderam significativamente sua capacidade de suporte à vida, ou seja, locais que perderam a natureza”, destaca Scarano. “Provavelmente a melhor maneira de se adaptar às mudanças climáticas será construir sociedades onde se reduza a pobreza e, ao mesmo tempo que se faz isso, conserve e recupere a natureza que foi perdida. Isso é o que os cientistas chamam de adaptação baseada em ecossistemas”, concluiu.

Eduardo Viola, professor do Instituto de Relações Internacionais da UNB, discordou do tom otimista predominante e demonstrou preocupação, afirmando que a maioria dos cientistas considerou o acordo da COP21 é fraco.

“Nós não estamos começando. O começo foi há 23 anos e até agora estamos fracassando. No encontro de 1992, no Rio de Janeiro, as emissões de carbono subiam 1,3% ao ano, mais ao menos. Na primeira década do século 21, do grande crescimento econômico, as emissões cresceram 3% ao ano. No período posterior, após crise de 2008, após acordo de Copenhagen, temos um processo de crescimento mais limitados, alguns países emitiram mais, outros menos. E o que a humanidade produziu nesses 23 anos? Um aumento extraordinário da concentração de gases estufas e uma redução brutal do que fica do orçamento global de carbono para evitar a mudança climática a níveis perigosos. Ao mesmo tempo que nós, desde a década passada, sabemos com alta certeza, o que é o componente antropogênico da mudança climática”, apontou Viola, ressaltando que agora as metas nacionais são voluntarias e não mais obrigatórias, uma fraqueza de um tratado multilateral.

De acordo com Rodrigo Lima, diretor geral da Agroicone, um acordo multilateral não consegue dar um passo enorme, mas importante. “Todos os países colocaram na mesa o que podem fazer, mas ainda é pouco. Concordo. O acordo é um esqueleto, até 2020 muitas iniciativas terão que ser negociadas e construídas.”

Para o Embaixador Laudemar Aguiar, coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio, não seria possível avançar sem a participação de todos os países, e além do governo federal, é necessária a participação de outras esferas.

“A Califórnia e algumas cidades dos Estados Unidos fazem muito mais para redução de emissões do que o governo federal americano fazia até agora. No caso do Brasil, por exemplo, o Rio de Janeiro faz muito mais coisas do que o governo federal em geral”, lembrou Aguiar. “O desmatamento não é mais a principal razão das emissões brasileiras. É a energia, transporte, são resíduos que estão nas cidades. Até 2050 teremos 70% da população em centros urbanos.”

Ainda assim, Marcelo Vieira, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, afirmou que muitas das principais metas brasileiras precisam ser implementadas pelo agronegócio. Segundo ele, o grande desafio é o financiamento. “Acreditamos no progresso, mas nada saiu da COP21 muito bem definido. A agricultura tem duas vertentes: ou perderemos competitividade ou teremos a produção de alimento mais responsável e limpa do mundo.”

O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) ocupa posições de destaque em rankings internacionais, como o 35º lugar na lista Global Go to Think Tanks, da Universidade da Pensilvânia (EUA). O ranking considerou mais de 6 mil think tanks no mundo e o CEBRI foi indicado como o mais inovador do Brasil. Com 17 anos de atuação e uma rede de 116 institutos parceiros em todo o mundo, o CEBRI foi concebido por um grupo de diplomatas, acadêmicos e empresários para promover o debate sobre as relações internacionais e o papel do Brasil no cenário global

Fonte: http://www.maxpressnet.com.br/Conteudo/1,808988,COP21_especialistas_aprovam_acordo_multilateral_da_Conferencia_de_Paris,808988,7.htm

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