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Notícia

Valor Econômico: CAR revela propriedades com mais vegetação que o esperado

30/04/2016


Dados mais recentes do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) mostram que, até 15 de abril, foram cadastrados mais de 308 milhões de hectares 


29/04/2016 - Valor Online
Daniela Chiaretti | De São Paulo



O Cadastro Ambiental Rural (CAR), espécie de fotografia que toda propriedade rural deve ter, está revelando que existe nas propriedades privadas mais vegetação nativa do que se imaginava, juntando Reservas Legais e Áreas de Proteção Permanente (APP), segundo a ministra do Meio Ambiente Izabella Texeira. 


Na semana que vem, Izabella espera levar à Casa Civil o decreto que regulamenta as Cotas de Reserva Ambiental (CRA).  Por esse instrumento, previsto no Código Florestal, proprietários com passivo ambiental poderão compensar a dívida comprando CRAs de outros, com ativo ambiental, além de ajudar a manter as florestas de unidades de conservação.  "A visão do decreto é buscar assegurar essa quantidade de ativos de biodiversidade, de vegetação nativa, que o CAR está revelando nas propriedades privadas", disse.  "Temos muita floresta nativa sob o domínio privado, mais do que se imaginava."


Os dados mais recentes do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) mostram que, até 15 de abril, já se ultrapassaram os 308 milhões de hectares de área total cadastrada, o que equivale a quase 80% do total.  Foram cadastrados mais de 2,8 milhões de imóveis.  "O produtor veio para o jogo", disse Carlos Eduardo Sturn, diretor de Fomento e Inclusão Florestal do SFB.  Para estruturar o CAR, foram investidos mais de R$ 838 milhões, sendo que R$ 694 milhões vieram do Fundo Amazônia e auxiliaram os Estados.


"A nossa posição é não ter prorrogação do prazo", disse Izabella, referindo-se a pressões para que o prazo de cadastro seja prolongado novamente.  "Se 85% fizeram o cadastro, temos que proteger quem cumpriu a lei.  Lei é para ser cumprida", disse.  O cadastro deve ser feito até 5 de maio próximo.


Falando na sede da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), em São Paulo, durante o seminário "O Código Florestal e a Sustentabilidade do Agronegócio", a ministra, há sete anos no governo, defendeu o CAR: "É o novo instrumento da agricultura brasileira, que irá permitir ao gerente do banco saber a sustentabilidade de determinada propriedade."


Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, ex-ministro da Agricultura e nome cotado para a pasta em eventual governo de Michel Temer - Rodrigues diz que não foi convidado - lembrou a previsão que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) traçou para o Brasil.  Segundo a OCDE, entre 2011 e 2020, o Brasil poderia aumentar a produção de alimentos em 40%.  "Poderíamos, mas não vamos", disse.  "Não temos política pública, estratégia e infraestrutura para isso."


"O CAR dá transparência ao que é mata nativa em propriedade privada.  Estamos subindo a escada [da conservação] de modo muito interessante", disse Rodrigo Lima, diretor-geral da Agroicone.

 

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