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Notícia

Custos de restauração florestal no Brasil são mapeados e disponibilizados em planilhas

07/03/2017

Análise econômica da Agroicone levantou valores para restauração com diferentes técnicas em oito estados brasileiros


O novo Código Florestal (lei n. 12.651/2012) criou a maior agenda de restauração florestal no Brasil por exigir a conservação de vegetação nativa em áreas privadas, por meio das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reservas Legais (RL). A lei florestal exige que a produção agrícola esteja combinada com a conservação ambiental, sendo, por isso, um dos alicerces para que a restauração florestal ocorra em larga escala no País.


Para contribuir com este grande desafio de levar a restauração florestal para o chão, e para embasar políticas públicas estratégicas, a Agroicone lança o estudo “Restauração florestal em cadeias agropecuárias para adequação ao Código Florestal – Análise econômica em oito estados brasileiros”.


“É preciso aprofundar as estimativas de custos de restauração florestal para a elaboração de políticas de apoio e estabelecimento de metas para a regularização. Se bons mecanismos de suporte forem postos em prática, a restauração induzida pelo Código Florestal pode ser feita de modo a maximizar benefícios ambientais e trazer à tona o potencial econômico das florestas” afirma Laura Antoniazzi, coordenadora do estudo e pesquisadora sênior da Agroicone.


Para o estudo, foram adotadas três técnicas de restauração florestal: condução da regeneração natural (ativa e passiva), semeadura direta e plantio de mudas, sendo essa última feita de diferentes formas – espécies nativas intercaladas com exóticas, com e sem aproveitamento econômico. As planilhas com os custos e receitas detalhados estão disponíveis para consulta junto com o estudo completo e sumário executivo.


O levantamento de custos e receitas de restauração foi feito para quatro grandes regiões do Brasil, sendo duas regiões de agricultura consolidada, nos estados de São Paulo e de Mato Grosso do Sul, e duas regiões de fronteira agrícola, Mato Grosso e Bacia do Tapajós (PA), e no Matopiba (no bioma Cerrado na confluência dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Nessas regiões estão presentes quatro das mais importantes cadeias produtivas do Brasil (soja, cana-de-açúcar, pecuária e florestas plantadas) que têm papel central na agenda de restauração florestal e no uso da terra no Brasil.


O estudo também levantou critérios básicos que definem operações e custos de diferentes modelos de restauração florestal para atender às exigências do Código Florestal para áreas de Reserva Legal e APPs. Adotou-se que os custos operacionais de uma restauração florestal são influenciados, principalmente, por três fatores: condições físico-ambientais (combinações entre diferentes níveis de relevo e declividade), preço dos insumos e da mão de obra e técnica adotada. O estudo completo apresenta mapas com as condições físico-ambientais e custos de restauração para os oito estados.


De acordo com as condições físico-ambientais mais representativas no Brasil quanto à extensão de área (baixa declividade e alta precipitação) e baixo interesse agrícola (alta declividade e alta precipitação), restaurar florestas com a técnica de regeneração natural custa entre R$858 e R$3.668, sendo a forma mais barata, porém indicada apenas para certas condições ambientais. A semeadura direta, ou muvuca de sementes, é a segunda opção mais econômica, com custos variando entre R$2.342 e R$3.585 e foi avaliada somente para áreas de baixa declividade.  O plantio de mudas, custa entre R$8.036 e R$17.433, sendo a técnica mais onerosa, porém, a mais disseminada atualmente. Os valores apresentados levam em conta somente os custos operacionais das técnicas de restauração, com o próprio produtor realizando a atividade, e não contemplam os custos de diagnóstico, planejamento e monitoramento.

 

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Também foram levantados custos e receitas de restauração florestal com aproveitamento econômico, usando modelos com espécies nativas e com espécies mistas, todos eles definidos pelo Pacto da Restauração da Mata Atlântica. As TIRs variaram entre 6,2 e 12,7% em um cenário otimista de preços e produtividade de madeira. Tais análises ainda precisam ser aprofundadas, considerando as dificuldades atuais de bons dados de produtividade e preço, assim como de modelos florestais consolidados em literatura. Paolo Sartorelli, engenheiro florestal e um dos autores do estudo, complementa: “É necessário o desenvolvimento de uma nova economia florestal, que poderá colocar o Brasil na liderança da silvicultura tropical. Para isso, é preciso muito mais plantios florestais para testar os modelos mais eficientes”.

 

 

O resumo completo do estudo e as planilhas de custos estão disponíveis para download em: http://www.inputbrasil.org/publicacoes/restauracao-florestal-em-cadeias-agropecuarias-para-adequacao-ao-codigo-florestal/

 

Tel: +55 (11) 3025-0500

E-mail: agroicone@agroicone.com.br

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