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Notícia

De olho na sustentabilidade: produtos alternativos a partir da cana-de-açúcar

13/07/2017

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A cada nova edição, o evento Ethanol Summit traz ao setor sucroenergético inúmeras novidades sobre temas presentes e futuros, que impactam o uso da cana-de-açúcar em segmentos diversos. E nesta não poderia ser diferente. Entre os assuntos debatidos estavam os novos usos e produtos advindos da commodity, entre eles o polietileno verde e os biocombustíveis para a aviação, que trouxeram grandes contribuições.


André Nassar e Rodrigo Lima, diretores da Agroicone, foram responsáveis pela mediação dos painéis sobre os temas acima citados e tiveram ótimas percepções:


“Promovemos uma discussão que evidenciou, a partir do exemplo de grandes empresas como a Amyris, Braskem, TetraPak e Fibraresist, o potencial de crescimento do mercado especializado, que ganhará cada vez mais importância por apelos de sustentabilidade, redução de emissão de carbono e necessidade de inovação”, pontuou André.


“O debate sobre biocombustíveis de aviação é cada vez maior no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), levando em conta a meta de redução de emissões que as empresas do setor adotaram. Em paralelo, as discussões do RenovaBio podem ajudar a promover diferentes biocombustíveis de aviação no Brasil. Nesse contexto, se torna fundamental participar ativamente das negociações na ICAO, especialmente para fundamentar as discussões sobre emissões e efeitos indiretos do uso da terra”, esclarece Rodrigo.


Soluções inovadoras


Como o uso da biotecnologia pode abrir um novo mercado e também a sua percepção do uso da cana-de-açúcar? Esta foi uma das perguntas respondidas durante o painel sobre novos usos e produtos.


O segmento atualmente é pequeno, mas representativo – são cerca de seis milhões de toneladas, de uma moagem de cana 100 vezes maior, destinada à produção de açúcar para consumo humano e etanol carburante, que atendem nichos de mercado, como a produção de pneus e embalagens.


Neste sentido, ainda há um longo e potencial caminho a percorrer. Os consumidores precisam ter consciência da utilização de fontes renováveis na composição dos produtos e o mercado deve considerar o segmento como um bom investimento. “Firmar parcerias para o desenvolvimento de novos produtos poderá gerar ótimos ganhos para as usinas. Não necessariamente de forma imediata, mas em futuro mais ou menos distante. É importante que as usinas estejam sempre atentas a tendências e possam transformar algumas delas em negócios”, esclarece André.


Voo livre


De acordo com o painel de biocombustíveis para aviação, transpor a tradição de 40 anos na produção de etanol, destinado ao ramo automobilístico, para o segmento de aviação pode ser um movimento bastante positivo para o Brasil nos próximos anos.


Mais do que dar ênfase apenas para o cumprimento de compromissos internacionais, como o Acordo de Paris, os setores governamental e privado estão atentos à promoção da descarbonização de forma eficaz, segura e rentável. Fato comprovado pelas exposições de que inúmeros testes já estão sendo realizados há alguns anos, a partir de biomassas que não contribuam para o desmatamento e tenham um balanço positivo de emissão de CO2 em comparação aos combustíveis fósseis.


Para tanto, é preciso primeiramente saber como quantificar a emissão de carbono deste novo combustível e, na sequência, compreender quais serão os gargalos tecnológicos e diferenciais de preço apresentados.


Metas internacionais


André Nassar ainda participou como debatedor do painel “NDC e os compromissos ambientais do Brasil”, trazendo o viés do agronegócio para a discussão.


“Temos que ter clareza das propostas feitas, mas principalmente de suas implicações. O Código Florestal traz um grande desafio de produzir e conservar. Por isso, não pode ser algo de cima para baixo. É preciso capacitar os produtores e trabalhar para que a lei seja implementada, sem reaberturas de discussões e mudanças”, enfatiza.


Outro ponto importante apresentado pelo debatedor foi a questão dos financiamentos para subsidiar esta movimentação em prol do cumprimento das metas. “O crédito do Programa ABC é um modelo insuficiente para as NDCs. Precisamos sair do conceito de prateleira. A intensificação de pastagem, por exemplo, tem acesso apenas ao crédito ABC. Porém, isso poderia ser ampliado”, finaliza André.

Fonte: Agroicone

Autor: Redação

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