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Notícia

Restauração florestal como um novo negócio

21/08/2017

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A partir da Lei de Proteção de Vegetação Nativa (12.651/2012) e de diversos compromissos globais assumidos pelo Brasil em prol da segurança alimentar e do combate à mudança do clima, a restauração florestal se caracteriza como uma alternativa para a adequação de passivos e, ao mesmo tempo, em uma oportunidade. Afinal, caso o País aproveite esta agenda para fomentar o desenvolvimento da economia florestal, ele poderá ocupar a liderança da silvicultura tropical.

Para tanto, é preciso apresentar qual é o custo-benefício ao produtor rural para que ele vislumbre este futuro e consiga enxergar além das exigências da lei. “Atualmente, os produtores brasileiros estão dando as costas para o trabalho em Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente por não enxergarem oportunidade. A partir do momento que você oferece um sistema florestal, que concilia espécies frutíferas, agrícolas e pequenos animais, uma nova visão surge”, fala Marcelo Arco-Verde, pesquisador da Embrapa Florestas, do Projeto Biomas, presente como debatedor do evento promovido pela Agroicone e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no dia 26 de julho, em Brasília (DF).

Aurélio Padovezi, gerente de Florestas da WRI, que também atua no Projeto Verena, apontou para a mesma direção. “Trazendo para perto, em uma avaliação comparada com os dados do Cadastro Ambiental Rural, podemos perceber que temos mais de 20 milhões de hectares de oportunidades de restauração, sem contar com questões de compensação”. Para ele, embora tenhamos mais de 60% de floresta no Brasil, vale destacar que 180 milhões de hectares são pastagens – sendo 30 a 40 milhões degradados -, o que se tornam excelentes oportunidades para o desenvolvimento de um novo negócio. “Passamos a olhar esse tipo de terra e a entender que plantar floresta vale a pena”, afirma.

Já Marcílio Caron, diretor executivo na Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), complementou o olhar, enfatizando a necessidade de haver assistência técnica, bem como financiamento ao produtor rural, para que essa tendência se concretize e apoie o alcance das metas propostas pelo Brasil em acordos internacionais. “Nós temos que tornar realidade os incentivos econômicos para quem preserva. Não vejo outra saída para darmos valor na árvore em pé. ”, declara.

Questões complementares

Diversas são as técnicas oferecidas para a realização da restauração florestal – entre elas a regeneração natural e o plantio de mudas com valor econômico -, porém cada uma apresenta particularidades que devem ser levadas em consideração.

“Aproximadamente 50% do passivo brasileiro pode se regenerar naturalmente”, afirma Aurélio. Porém, trata-se de uma opção que não tem a pretensão de gerar receita. Em contrapartida, há o plantio de árvores comercializáveis, que podem amortizar um pouco o impacto da adequação ambiental. “Adotando esta técnica os indicadores melhoram muito; podemos conservar receitas ao plantar espécies com valor econômico”, destaca Marcelo Arco-Verde.
Entretanto, diferente da regeneração natural, esta técnica dispende de mão de obra. “Se você precisa de 50 ou 60 diárias por ano para um determinado método, em comparação àquele que demanda de 180 a 200 diárias, existe um grande abismo nos custos; há métodos de R$ 800 e outros de R$ 50 mil”, esclarece Marcelo.

Exemplo

Para tornar a discussão tangível, é importante apresentar exemplos de alguns setores, entre eles o florestal, que conta com 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas e 5,5 milhões de áreas preservadas. “Desde o primeiro Código Florestal, nós éramos obrigados a ter um semi-licenciamento e, naquela época, já tínhamos de cuidar da Reserva Legal e de Áreas de Preservação Permanente”, conta Marcílio.

Para se atingir estes objetivos, o diretor completa dizendo que o trabalho foi contínuo e contemplou grandes investimentos nas áreas de silvicultura, engenharia e biotecnologia.

Confira o vídeo deste e dos outros painéis do evento "O Código Florestal como caminho para o desenvolvimento sustentável do agro e do Brasil", clicando aqui.

Fonte: Agroicone

Autor: Redação

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