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Notícia

Rodrigo Lima fala sobre a agropecuária de baixo carbono em artigo, publicado no Correio Braziliense

09/04/2018

No dia 9 de abril, o jornal Correio Braziliense publicou na editoria de Opinião, o artigo "O futuro da agropecuária de baixo carbono", redigido por Rodrigo Lima, sócio-diretor da Agroicone.

O texto aborda a agenda de Climate Smart Agriculture (CSA), em específico o Plano de Agropecuária de Baixo Carbono (ABC), que se conecta com à política agrícola. Nele, o profissional incita a necessidade de reavaliar os aprendizados e as limitações desta iniciativa.

Confira o texto na íntegra:

O futuro da agropecuária de baixo carbono
Por Rodrigo Lima, sócio-diretor da Agroicone
Jornal Correio Braziliense

A adoção de práticas e tecnologias que permitem aprimorar o manejo do solo e de pragas, restaurar pastagens, otimizar o uso de insumos, integrar diferentes lavouras com pecuária e florestas, incrementar a produtividade e fomentar a resiliência dos sistemas produtivos compõem o enfoque de agropecuária de baixo carbono.

Apesar da expressão Climate Smart Agriculture (CSA) ser nova e ter ganhado espaço no plano internacional e em políticas de vários países, especialmente a partir de 2010, como é o caso do Brasil, boas práticas produtivas são adotadas há anos.

Na data, o Brasil entrou formalmente nessa agenda com o Plano de Agropecuária de Baixo Carbono – (ABC), que prevê um rol de práticas de baixo carbono como plantio direto, fixação biológica do nitrogênio, integração lavoura, pecuária e florestas (ILPF), restauração de pastagens e tratamento de dejetos. Além disso, o Programa ABC se conecta à política agrícola para disponibilizar crédito mais barato a fim de incentivar essas atividades. 

Dados do Ministério da Agricultura e do Observatório do ABC mostram que nos primeiros cinco anos deste Programa, a taxa média de juros foi de 6% e as contratações alcançaram 90% dos recursos na safra 2012/13 e 81% em 2014/15. Nos últimos dois anos, a taxa média subiu para 8% e os recursos disponíveis e contratados caíram significativamente. Para a safra 2017/18 é de apenas R$ 2,1 bilhões, 47% a menos do que na safra 2014/15.

É preciso reavaliar os aprendizados e as limitações da primeira fase ABC com uma visão mais ampla, integrada ao debate de uma política agrícola de longo prazo, aos benefícios que a agropecuária de baixo carbono pode trazer para a produção de alimentos e energias e ao debate global sobre o tema.

Basta observar que as ações que o Brasil propôs no Acordo de Paris contemplam as tecnologias do ABC, com ênfase para a restauração de pastagens e ILPF, a implementação do Código Florestal, a restauração florestal e o combate efetivo ao desmatamento ilegal. É uma mescla de boas práticas de produção e gestão do uso do solo. 

Tendo 2025 e 2030 como cenários, é estratégico definir qual futuro queremos para uma agropecuária brasileira que reduza emissões e, principalmente, tenha capacidade de se adaptar às mudanças do clima. 

Alguns eixos estratégicos que devem fundamentar a nova fase ABC: i) afastar definitivamente o desmatamento ilegal das cadeias produtivas; ii) orientar a expansão de diferentes culturas sob áreas já convertidas, especialmente de média e alta aptidão; iii) promover a restauração das pastagens e a intensificação da pecuária como elementos essenciais para alavancar ganhos de produtividade e liberar áreas para outras culturas; iv) agregar novas tecnologias ao ABC; v) fomentar a adequação ao Código Florestal e estimular o enfoque de produção e conservação; vi) a política agrícola ABC deve ganhar robustez e premiar com juros efetivamente mais baratos quem adota ações de mitigação e/ou adaptação; vii) estruturar a capacidade de mensurar e dar transparência para a nova fase do ABC.

A capacidade de aprimorar a implementação de boas práticas, permitindo produzir mais na mesma área e de maneira eficiente, deve se tornar um indicador efetivo do agro tropical de baixo carbono. Monoculturas de soja geram safrinhas de milho e de boi. Por vezes, integram o componente florestal, com eucalipto para energia, palmito e outras variedades. Sistemas agroflorestais também podem gerar inúmeros benefícios, incluindo hortifrúti e animais, castanhas, florestas nativas, por exemplo. São inúmeras as possibilidades.

Ademais, é preciso trabalhar a capacidade de mensurar os efeitos das práticas de baixo carbono, o que será fundamental não apenas para mensurar os impactos de uma política pública, mas para permitir dar transparência para as emissões de gases de efeito estufa ligadas ao setor agropecuário.  

Os céticos irão discordar que essa agenda é estratégica para o Brasil. Todavia, seguramente não serão contrários aos benefícios socioeconômicos que podem advir da implementação em escala das práticas ABC. 

Neste sentido, é preciso definir onde o Brasil quer chegar na corrida tecnológica e com a ambição de sua política agrícola direcionada a promover uma agropecuária mais produtiva, mais diversificada, com alto valor de agregação nos seus produtos, com baixa emissão de carbono e resiliente, permitindo ao produtor se adaptar aos efeitos das mudanças do clima e garantir renda. 


Download: 180417153529_Artigo-Agricultura de baixo carbono-CorreioBraziliense-090418.png

Fonte: Agroicone e Correio Braziliense

Autor: Redação

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