O potencial do Brasil para produzir combustíveis sustentáveis de aviação

Publicado na revista científica internacional Energy (Elsevier), edição Energy 344 (2026), o artigo Potential and prospects for the production of sustainable aviation fuels in Brazil reúne pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Agroicone, Luciane Chiodi, Marcelo Moreira e Marjorie Guarenghi, na análise econômica, territorial e de sustentabilidade da produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) no país.

Para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) da aviação civil, a substituição dos combustíveis fósseis por combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) será fundamental nos próximos anos. Em nível internacional, essas mudanças são orientadas por regras definidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), que estabelecem metas obrigatórias de redução de emissões para as principais companhias aéreas a partir de 2027.

O Brasil reúne condições favoráveis para produzir SAF não apenas para atender sua própria demanda, mas também para exportar. O artigo analisa o potencial do país para a produção desses combustíveis a partir de três rotas tecnológicas, utilizando diferentes matérias-primas, com base em estudos de caso. A análise considera aspectos práticos da realidade brasileira, como infraestrutura disponível, restrições agrícolas, potenciais custos de produção e limitações decorrentes da aplicação de critérios de sustentabilidade.

Os resultados indicam que, no curto prazo, a rota mais viável é a chamada HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), produzida a partir de óleo de soja e sebo bovino, por já contar com tecnologia madura e matérias-primas amplamente disponíveis no país. Outra alternativa promissora é a rota ATJ ((Alcohol-to-Jet), baseada na conversão de etanol de cana-de-açúcar e milho em combustível de aviação, que apresenta bom potencial tanto econômico quanto ambiental.

No médio prazo, o estudo aponta alguns desafios importantes para ampliar a produção de SAF no Brasil. Entre eles estão o uso de pastagens degradadas para o cultivo de biomassa, o que pode ajudar a reduzir emissões associadas ao uso da terra, o desenvolvimento de plantas industriais integradas para a produção de SAF a partir do etanol de cana-de-açúcar, e os avanços necessários para tornar o óleo de macaúba uma matéria-prima viável em escala comercial.

Além de atender aos compromissos internacionais, o Brasil também estabeleceu metas para reduzir as emissões da aviação doméstica, o que exigirá um volume significativo de SAF nos próximos 10 a 12 anos. No entanto, o artigo destaca que, no início, a produção de SAF no país deve ocorrer principalmente por meio do coprocessamento em refinarias já existentes, considerado o caminho mais seguro e viável no curto prazo.

De forma geral, o estudo mostra que o Brasil tem grande potencial para se tornar um ator relevante na produção de combustíveis sustentáveis para a aviação, mas que o avanço dependerá de políticas públicas adequadas, investimentos, inovação tecnológica e soluções que conciliem produção, sustentabilidade e logística.

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