Estudo revela baixo impacto do milho de segunda safra na mudança de uso da terra no Brasil

Um estudo inédito publicado na npj Sustainable Agriculture, revista científica do grupo editorial Nature, traz novas evidências sobre o papel do milho de segunda safra na construção de uma agricultura mais sustentável no Brasil. Liderada pela Agroicone, a pesquisa demonstra que a expansão desse sistema de produção ocorreu predominantemente em áreas já consolidadas para a agricultura, reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas e, consequentemente, o impacto sobre a vegetação nativa.

Conduzido pelos pesquisadores Danilo Garofalo, Luciane Bachion e Marcelo Moreira, da Agroicone; Renan Novaes, Ricardo Pazianotto e Marília Folegatti, da Embrapa Meio Ambiente; Daniel de Aguiar, da Canopy; Rafael Cardão Augusto, da Serasa Experian; e Lucas Kreutzfeld, da Epagri/SC, o estudo mapeou, pela primeira vez, as áreas de milho de segunda safra em todo o território nacional a partir de imagens de satélite.

Os resultados mostram que, em 2023, a cultura ocupou 17,1 milhões de hectares. Entre 2003 e 2023, a área cultivada aumentou em 14,4 milhões de hectares, consolidando o sistema de cultivo duplo como um diferencial da produção agrícola brasileira.

A pesquisa também identificou que as emissões associadas à mudança direta do uso da terra (dLUC) do milho de segunda safra são entre 40% e 57% inferiores às estimativas de metodologias nacionais e entre 40% e 80% menores do que referências internacionais. Além disso, práticas de manejo sustentável contribuíram para aumentar o armazenamento de carbono no solo, compensando cerca de 20% das emissões relacionadas à mudança de uso da terra.

As evidências reforçam ainda o potencial estratégico do etanol produzido a partir do milho de segunda safra. As emissões líquidas associadas ao uso da terra e ao manejo do solo apresentaram valores significativamente inferiores aos estimados pela literatura internacional, validando cientificamente o baixo impacto ambiental desse biocombustível e sua contribuição para as metas globais de descarbonização.

Leia o artigo completo aqui e conheça os resultados que ajudam a aprimorar as estimativas da pegada de carbono do milho de segunda safra e do etanol de milho brasileiro.

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