Estudo aponta que crédito rural pode acelerar a conversão de pastagens degradadas e impulsionar a transição sustentável da agropecuária brasileira

A recuperação e conversão de pastagens degradadas desponta como uma das maiores oportunidades para conciliar produção agropecuária, competitividade econômica e sustentabilidade no Brasil. O estudo técnico “Potencial de Alavancar a Conversão de Pastagens Degradadas com o Crédito Rural”, elaborado pela Agroicone, analisou o papel do crédito rural e das novas iniciativas de financiamento sustentável na transformação das pastagens degradadas no país.

Existem 27,7 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial de conversão ou intensificação no curto prazo (Brasil, 2024), localizados em imóveis rurais livres de desmatamento após 2008 e aptos para a adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis. O número representa uma parcela significativa da meta estabelecida pelo Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), atualmente incorporado à iniciativa Caminho Verde Brasil, que pretende recuperar ou converter cerca de 40 milhões de hectares em dez anos.

Segundo os pesquisadores, a conversão dessas áreas pode gerar múltiplos benefícios, incluindo aumento da produtividade, redução da pressão por abertura de novas áreas, melhoria da saúde do solo, redução de emissões de gases de efeito estufa e maior resiliência dos sistemas produtivos às mudanças do clima.

O trabalho também demonstra que o sistema de crédito rural brasileiro já dispõe de instrumentos capazes de apoiar essa transformação. A análise identificou cerca de R$ 30,5 bilhões na safra 2024/2025 em operações de crédito rural de investimento com algum alinhamento com o PNCPD, sendo que R$ 17,2 bilhões estão diretamente associados a imóveis rurais que possuem áreas de pastagens degradadas e que poderiam ser contabilizados como parte dos esforços de conversão e recuperação dessas áreas.

Além disso, o estudo identificou uma demanda potencial adicional de R$ 22,6 bilhões, distribuída entre aproximadamente 185,7 mil imóveis rurais com áreas de pastagens com algum grau de degradação. Para os autores, esse grupo representa uma importante oportunidade de direcionamento de incentivos, uma vez que são produtores que já demonstraram capacidade e interesse em realizar investimentos produtivos.

O estudo destaca ainda o papel estratégico do Eco Invest Brasil, mecanismo criado para mobilizar recursos públicos e privados, inclusive internacionais, para projetos de transição ecológica. Segundo os autores, o programa inaugura um novo patamar para as finanças sustentáveis no setor agropecuário ao incorporar critérios mais robustos de elegibilidade, monitoramento e salvaguardas socioambientais, incluindo regras relacionadas ao desmatamento e ao acompanhamento de resultados ambientais.

Entre as principais recomendações apresentadas no estudo, detalhadas em propostas para a política agrícola de curto, médio e longo prazos, estão o fortalecimento da integração entre o crédito rural e as iniciativas de financiamento verde, a harmonização dos critérios de monitoramento, a criação de incentivos que estimulem a jornada de sustentabilidade da agropecuária e o reconhecimento do papel estratégico da recuperação de pastagens degradadas para o desenvolvimento econômico e climático do país.

Para os autores, o Brasil reúne condições únicas para liderar uma nova agenda de desenvolvimento agropecuário baseada no aumento da produtividade, na valorização do capital natural e na transição para sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. O grande desafio agora é transformar essa oportunidade em uma política pública coordenada, capaz de mobilizar recursos em escala e acelerar a conversão das áreas degradadas em ativos produtivos, ambientais e econômicos para o país.

Leia o estudo completo:

Compartilhe: