Crédito rural em alerta: estudo da Agroicone revela avanço da deterioração da carteira no Brasil

Análise mostra que o saldo das operações problemáticas chegou a R$ 188,8 bilhões em abril de 2026 e identifica diferentes perfis de risco conforme o porte do produtor e a região do país.

A deterioração da carteira de crédito rural brasileira avançou de forma expressiva nos últimos anos. Entre julho de 2023 e abril de 2026, o saldo das operações classificadas como problemáticas passou de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões. No mesmo período, a inadimplência aumentou de R$ 3,8 bilhões para R$ 38,4 bilhões.

Os dados fazem parte do novo estudo da Agroicone, “Raio-X do Crédito Rural problemático: Evidências de deterioração no Brasil”, elaborado a partir de microdados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (SICOR), disponibilizados pelo Banco Central do Brasil.

Um olhar além da inadimplência

Um dos diferenciais do estudo é analisar a deterioração da carteira para além da inadimplência. O conceito de crédito problemático reúne operações em atraso, prorrogadas, renegociadas ou inadimplentes, permitindo identificar diferentes estágios de pressão sobre a capacidade de pagamento.

A metodologia considera ainda duas dimensões complementares: a quantidade de operações, que ajuda a identificar o quanto o problema está disseminado entre os contratos, e o valor financeiro, que evidencia a exposição associada a essas operações. Assim, é possível diferenciar situações em que a deterioração atinge muitos contratos daquelas em que está concentrada em um número menor de operações de maior valor.

Diferentes perfis entre os produtores

Os resultados mostram que a inadimplência se manifesta de formas distintas conforme o porte do produtor.

Em abril de 2026, os grandes produtores concentravam 53,8% do saldo inadimplente, equivalente a R$ 20,5 bilhões, embora respondessem por apenas 8% das operações inadimplentes.

Entre os médios produtores, o saldo inadimplente alcançou R$ 13,4 bilhões e a taxa de inadimplência por valor chegou a 6,1%, a maior entre os portes analisados.

Já os pequenos produtores concentravam 76,7% das operações inadimplentes, mas respondiam por 11% do saldo, equivalente a R$ 4,2 bilhões.

Os números revelam, portanto, três perfis distintos: maior concentração financeira entre os grandes, maior risco financeiro relativo entre os médios e maior disseminação da inadimplência entre os contratos dos pequenos produtores.

A deterioração também varia entre os estados

A análise territorial reforça que não existe um único padrão de deterioração do crédito rural no país. Maranhão e Ceará apresentam deterioração elevada tanto na dimensão contratual quanto financeira. Pará, Amazonas, Amapá e Acre se destacam pela maior concentração financeira da inadimplência em relação à frequência de contratos.

Já Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais apresentam taxas de inadimplência abaixo das medianas territoriais, embora permaneçam relevantes em razão do tamanho das carteiras e dos volumes absolutos envolvidos. O Rio Grande do Sul chama atenção ainda por apresentar elevada incidência de operações problemáticas sem conversão proporcional em inadimplência.

Os resultados reforçam a necessidade de considerar conjuntamente porte do produtor, território, quantidade de operações e exposição financeira no monitoramento da carteira e na formulação de respostas para o crédito rural.

Leia o estudo completo

Acesse “Raio-X do Crédito Rural problemático: Evidências de deterioração no Brasil” e confira a metodologia, os dados e as análises completas sobre a evolução da deterioração do crédito rural brasileiro.

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