O Boletim Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, publicação trimestral desenvolvida pela Agroicone, apresenta os dados acumulados até o 1º trimestre do Plano Safra 2026/2027. No período, foram contratados R$ 17,5 bilhões em operações com potencial alinhado à sustentabilidade, o equivalente a 26,3% do crédito rural de custeio e investimento desembolsado.
Na comparação com o mesmo período da safra anterior, o volume de recursos alinhados à sustentabilidade apresentou redução de R$ 3,6 bilhões, passando de R$ 21,1 bilhões para R$ 17,5 bilhões. Apesar da queda em valores absolutos, sua participação no crédito rural aumentou de 22,8% para 26,3%, indicando maior representatividade dessas operações em um cenário de retração geral do financiamento.
O crédito rural total contratado no trimestre somou R$ 80,7 bilhões, queda de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram registrados R$ 113,4 bilhões. A desaceleração, antes concentrada entre médios e grandes produtores, também passou a atingir a agricultura familiar.
O boletim destaca ainda:
- R$ 12,4 bilhões destinados ao custeio e R$ 5,1 bilhões ao investimento, dentre o total do crédito alinhado à sustentabilidade;
- R$ 15,8 bilhões direcionados à atividade agrícola e R$ 1,7 bilhão à pecuária;
- Pronaf responsável por R$ 978,3 milhões em contratações nos subprogramas com finalidade sustentável, liderando a contratação dentre tais subprogramas;
- Pronaf Bioeconomia como principal destaque entre os subprogramas sustentáveis da agricultura familiar, com R$ 925 milhões contratados;
- R$ 2,3 bilhões destinados à categoria de melhoramento de solos, com destaque para a correção intensiva do solo entre os produtos financiados para investimento;
- Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso entre os estados com maiores volumes de crédito alinhado à sustentabilidade.
A análise de conjuntura aponta que a retração do financiamento está associada à deterioração da carteira de crédito rural, ao aumento da inadimplência e à maior aversão ao risco. O cenário também afeta o acesso a instrumentos privados de financiamento e compromete a capacidade de investimento dos produtores.
Embora a participação relativa do crédito alinhado à sustentabilidade tenha avançado, a publicação alerta que a redução dos recursos disponíveis pode desacelerar a adoção de práticas sustentáveis e a transição para uma agropecuária de baixa emissão de carbono e mais resiliente aos eventos climáticos extremos.
Nesse contexto, o boletim reforça a importância de mecanismos de mitigação dos riscos de crédito e climáticos, como o seguro rural, e de alternativas para a reestruturação do endividamento, de forma a preservar a capacidade de investimento, a competitividade e a segurança das cadeias produtivas agropecuárias brasileiras.
