Estudo científico recém-publicado na revista Energy Policy, com participação de pesquisadores da Agroicone (Marcelo Moreira, Luciane Chiodi e Sofia Arantes), Embrapa Meio Ambiente (Renan Novaes) e da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp (Thayse Hernandes), apresenta uma proposta inovadora para qualificação e gestão de riscos de ILUC (Indirect Land Use Change) na produção de biocombustíveis.
O estudo avança no debate internacional ao propor uma abordagem estruturada para identificar, classificar e mitigar riscos de mudança indireta no uso da terra associados à expansão de culturas destinadas à bioenergia. Em vez de tratar o ILUC como um fator quantitativo estimado por modelos globais, a pesquisa propõe um enquadramento baseado em risco, que considera contexto territorial, governança, dinâmica produtiva e instrumentos de política pública.
Com base em evidências regulatórias e científicas, o estudo propõe cinco medidas-chave para reduzir riscos e ampliar o uso de biocombustíveis de baixo impacto:
- Abordagem escalonada para classificar baixo risco de ILUC
- Critérios de elegibilidade mais abrangentes
- Integração de critérios de desmatamento zero
- Criação de categoria de risco intermediário
- Implementação faseada diante de incertezas científicas
A metodologia amplia a transparência e a robustez técnica da análise, permitindo diferenciar realidades produtivas e reconhecer a capacidade institucional de países que possuem sistemas consolidados de monitoramento ambiental e agrícola, como o Brasil. Ao integrar critérios territoriais e mecanismos de governança, o estudo fortalece a credibilidade dos biocombustíveis brasileiros no cenário internacional e contribui para um debate baseado em evidências.
