Trabalhos abordam diversos eixos da política agrícola, como o Crédito Rural, a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), os programas de gestão de riscos (Proagro e PSR), a recuperação de pastagens degradadas, as compras públicas (PNAE) e o desenvolvimento rural.
Pesquisas desenvolvidas por especialistas da Agroicone estão entre os trabalhos publicados nos Anais do 64º Congresso da SOBER e XVI Congresso Mundial de Sociologia Rural (IRSA).
Os estudos foram apresentados durante os congressos, realizados entre 19 e 23 de julho de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS), e reúnem análises sobre diferentes desafios relacionados às políticas públicas, à gestão de riscos e ao desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira.
Ao todo, seis trabalhos com participação de pesquisadores da Agroicone abordam temas como a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER); os efeitos das novas regras do Proagro sobre a agricultura familiar; os determinantes da contratação de crédito para recuperação de pastagens degradadas; a evolução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como instrumento de fortalecimento da agricultura familiar; a incorporação de critérios socioambientais ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR); e o desenvolvimento do IDR-CAR como ferramenta para ampliar o conhecimento sobre as condições socioeconômicas dos imóveis rurais brasileiros.
Conheça os estudos e seus principais resultados:
ARTIGO 1
Assistência Técnica e Extensão Rural
Autores: Lauro Vicari e Fernanda Sá
- A literatura aponta que Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) é fundamental na transmissão da informação, no apoio técnico e científico, na garantia de melhores práticas e resiliência a mudanças climáticas;
- Apenas 20% dos estabelecimentos rurais no Brasil recebem ATER e esse percentual é ainda menor na agricultura familiar, correspondendo a 18% dos estabelecimentos da AF.
- Ter uma prefeitura com alta capacidade institucional não garante, isoladamente, maior acesso do produtor à ATER.
- A ATER depende da articulação federativa entre municípios, estados e União, e não apenas de ações municipais isoladas.
ARTIGO 2
Gestão de Riscos no Campo
Título: PROAGRO mais restritivo: novas regras e efeitos na Agricultura Familiar
Autores: Cleyton Candeira, Gustavo Lobo e Leila Harfuch
- As novas regras do PROAGRO (limites de acionamento por COPs e tetos de cobertura) geraram uma forte retração nas contratações deste instrumento de seguro
- Cerca de 68% dos produtores analisados deixaram o PROAGRO (e o crédito rural) na safra 2024/25
- A migração ao PSR foi baixa no pós-regra, deixando 55 mil recorrentes desimpedidos sem cobertura de nenhum instrumento de gestão de risco
- O aculturamento do seguro, aumento da oferta e da rede de peritos, bem como a construção de produtos adaptados à exposição ao risco dos produtores, são fundamentais na promoção de uma maior interlocução entre os instrumentos de gestão de risco
ARTIGO 3
Crédito Rural e recuperação de pastagens degradadas
Título: Determinantes da contratação de crédito rural para a recuperação de pastagens degradadas
Autores: Lauro Vicari, Ilka Reis e Leila Harfuch
- As pastagens degradadas estão no foco na agenda climática da agropecuária e a política de financiamento tem um papel central na superação deste problema
- O estudo empregou uma estratégia ampla de dados, com modelagem econométrica para avaliar 1,4 milhão de imóveis rurais no Brasil, buscando entender a tomada de crédito voltada à recuperação/conversão de pastagens
- Observou-se que o histórico de crédito e a experiência com crédito sustentável aumentam a probabilidade de contratação; custos, maior crédito agrícola e diversificação das operações reduzem. Imóveis maiores e com mais pastagem degradada apresentam maior probabilidade de contratação
- Fortalecer incentivos baseados no histórico do produtor, reduzir custos de recuperação e ampliar ATER, associativismo e políticas que estimulem a conversão de pastagens degradadas são fundamentais para o avanço desta agenda
ARTIGO 4
Alimentação Escolar e Mercado Institucional
Autores: Fernanda Sá, Gustavo Lobo, Lauro Vicari e Cleyton Candeira
- Crescimento gradual da execução da política ao longo da série histórica (2011-2022), sendo o período de 2011 a 2018 o de maior expansão. A pandemia (2020–2021) reduziu a execução das compras da AF, mas apesar da retração, o programa manteve sua operacionalização
- Em 2022, observa-se: retomada da execução financeira; aumento do número de municípios que cumpriram a meta legal. Observou-se que a mediana de aquisições municipais de alimentos da AF, nesse ano, atingiu 45%, superando o piso legal de 30%
- Entre 2011 e 2022, 48,7% dos municípios passaram a cumprir os 30% de aquisição da AF, enquanto 20,1% mantiveram o cumprimento. Outros 27,3% permaneceram em não cumprimento e 4,0% deixaram de cumprir, evidenciando avanços importantes, mas com dinâmica heterogênea no país
- O cenário reafirma os avanços da política e evidencia o PNAE como vetor estratégico de desenvolvimento da AF no país
ARTIGO 5
Seguro Rural (PSR) e Agenda ESG
Título: Conformidade Socioambiental do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
Autores: Fábio Watanabe, Gustavo Lobo e Leila Harfuch
- A Resolução do Conselho Nacional de Seguros Rurais (CNSP) nº 485/2025 trouxe critérios socioambientais para fins de elegibilidade ao seguro rural
- Dos 1,68 milhão de contratos firmados pelo PSR entre 2008 e 2024, 1,19 milhão (73%) puderam ser associados a imóveis rurais identificados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a partir das coordenadas geográficas disponíveis
- Além disso, foi realizada uma análise do desmatamento (sem distinção de legalidade) com polígonos de ao menos 6,25 hectares anteriores ao ano da apólice no período entre 2009 e 2024, tendo sido observado em 6% dos contratos
- O novo regramento reforça a relação estreita entre instrumentos de gestão de riscos e o capital natural, auxiliando na preservação da segurabilidade da atividade agropecuária no longo prazo.
ARTIGO 6
Inteligência Territorial & Desenvolvimento Rural
Título: IDR-CAR: Mensurando o desenvolvimento socioeconômico no contexto dos imóveis rurais
Autores: Lauro Marques Vicari, Gustavo Dantas Lobo e Leila Harfuch
- Os indicadores socioeconômicos são fundamentais para orientar o planejamento e a avaliação de políticas públicas, mas ainda há limitações na disponibilidade de dados sobre a realidade rural brasileira
- Para superar essa lacuna, desenvolveu-se o IDR-CAR, um indicador socioeconômico de alta granularidade associado aos imóveis rurais do Cadastro Ambiental Rural
- O indicador combina dados do IBGE e do SICAR em quatro dimensões, contemplando Educação, Infraestrutura Coletiva, Infraestrutura Domiciliar e Renda, com valores de 0 a 1
- O IDR-CAR foi calculado para cerca de 7,8 milhões de imóveis rurais e apresentou maior capacidade de diferenciação territorial que os dados municipais, além de alta convergência com o IDHM de 2010 (R² = 0,73)
- O indicador pode apoiar pesquisas e políticas voltadas ao meio rural, permitindo incorporar as condições socioeconômicas na formulação de estratégias para uma transição mais sustentável
