Pesquisa publicada em revista científica internacional acompanhou 15 safras consecutivas e identificou ganhos de produtividade, estabilidade, eficiência no uso de fertilizantes e retorno econômico
Plantar milho após a colheita da soja pode trazer benefícios que vão além de uma segunda produção na mesma área. Um estudo elaborado por pesquisadores da Agroicone, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação Mato Grosso mostra que o sistema soja-milho aumenta a produtividade da própria oleaginosa e contribui para tornar o sistema produtivo mais resiliente e economicamente eficiente.
Publicado na revista científica internacional Industrial Crops and Products, da Elsevier, o trabalho acompanhou 15 safras consecutivas, entre 2008/09 e 2022/23, em Itiquira (MT). Cinco sistemas de produção foram avaliados lado a lado: dois de monocultura e três de sucessão de culturas, soja seguida por milho, braquiária ou milheto.
Mais produtividade na mesma área
Ao longo das 15 safras, a soja cultivada em sucessão com milho alcançou produtividade média de 65,89 sacas por hectare, contra 52,15 sacas na monocultura em plantio direto e 54,36 sacas no cultivo convencional.
Na comparação com a monocultura em plantio direto, são 13,74 sacas a mais por hectare, em média. Os resultados indicam que a diversificação do sistema produtivo pode aumentar o desempenho da própria soja sem demandar expansão da área cultivada.
Maior estabilidade diante da seca
A diferença entre os sistemas ficou ainda mais evidente em anos de condições climáticas desfavoráveis.
Nas safras 2014/15 e 2020/21, marcadas por forte déficit hídrico, a monocultura caiu para menos de 20 sacas por hectare em parte dos blocos experimentais, enquanto os sistemas de sucessão sustentaram produtividade próxima de 50 sacas.
O resultado ajuda a demonstrar outro efeito da diversificação: reduzir a oscilação da produtividade entre as safras e aumentar a resiliência do sistema diante da variabilidade climática.
Mais eficiência no uso de fertilizantes
Durante o experimento, a soja recebeu a mesma dose de fertilizante em todos os sistemas. Ainda assim, o custo médio do insumo foi de US$ 9,28 por saca no sistema soja-milho, contra US$ 10,22 na monocultura em plantio direto.
Isso ocorre porque, com maior produtividade, a mesma quantidade aplicada se traduz em menor custo de fertilizante por unidade de soja produzida. Os sistemas diversificados também favorecem processos como ciclagem de nutrientes, cobertura do solo, infiltração e armazenamento de água.
Produtividade que também se traduz em retorno econômico
Entre os sistemas avaliados, o soja-milho foi o mais rentável ao longo da série, chegando a registrar picos superiores a US$ 30 por saca em três das 15 safras.
Além do efeito sobre a produtividade da soja, o milho proporciona uma segunda colheita comercial na mesma área e no mesmo ano agrícola, permitindo distribuir custos fixos, como maquinário, mão de obra e financiamento da terra, sobre um volume maior de produção.
Os resultados reunidos ao longo de 15 anos reforçam, com evidências científicas, o potencial da diversificação para otimizar o uso da terra e combinar produtividade, resiliência, eficiência no uso de fertilizantes e retorno econômico.
O estudo reforça ainda a atuação da Agroicone na geração de conhecimento aplicado aos desafios da agropecuária brasileira, conectando evidências científicas, sustentabilidade e desempenho dos sistemas produtivos.
Acesse o artigo completo e conheça os resultados da pesquisa:
