Publicação lançada em Bonn propõe visão integrada para ampliar o protagonismo das florestas brasileiras na agenda climática

Estudo elaborado por uma coalizão de organizações brasileiras destaca o papel complementar da conservação, da restauração, das florestas plantadas e da agricultura sustentável para ampliar a cobertura florestal e impulsionar o desenvolvimento de baixo carbono no país.

Bonn (Alemanha) – Uma coalizão de organizações brasileiras lançou nesta semana, durante evento realizado em Bonn, na Alemanha, a segunda edição da publicação O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global. O estudo reúne contribuições do Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Agroicone, Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e Uma Concertação para a Amazônia e busca ampliar o debate sobre o papel estratégico das florestas para o desenvolvimento sustentável, a adaptação climática e a transição para uma economia de baixo carbono.

Representando a Agroicone durante o lançamento, o sócio-diretor Rodrigo Lima destacou que o estudo apresenta uma abordagem inovadora ao tratar as florestas brasileiras a partir do conceito de contínuo florestal, uma visão que integra diferentes formas de conservação, uso sustentável e recuperação da vegetação nativa.

“O estudo mostra que conservação florestal, restauração e produção agropecuária não são agendas concorrentes. O Brasil já possui uma das maiores áreas conservadas dentro de propriedades privadas rurais e pode ampliar sua liderança global ao conectar agricultura, florestas e soluções climáticas em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo”, afirma Rodrigo Lima.

O conceito de contínuo florestal, apresentado na publicação, reconhece que a paisagem brasileira é formada por diferentes tipos de florestas que desempenham funções complementares. Nessa perspectiva, fazem parte da solução tanto as florestas nativas destinadas à conservação quanto as áreas em restauração, as florestas plantadas comerciais — como eucalipto, pinus e teca — e as áreas de vegetação nativa preservadas dentro das propriedades rurais em conformidade com o Código Florestal.

A publicação argumenta que o futuro da agenda florestal brasileira depende da capacidade de integrar esses diferentes componentes em uma estratégia comum capaz de combinar produção, conservação e geração de renda. O documento destaca que a agricultura brasileira já desempenha papel relevante nesse processo ao conservar extensas áreas de vegetação nativa por meio das Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente, ao mesmo tempo em que possui potencial para contribuir com iniciativas de restauração florestal em áreas de baixa aptidão agrícola.

Segundo os autores, a redução do desmatamento ilegal é condição fundamental para que o Brasil avance em uma nova etapa de expansão florestal. Nesse cenário, instrumentos como mercados de carbono, pagamentos por serviços ambientais e mecanismos de financiamento climático podem contribuir para viabilizar economicamente a conservação e a restauração, transformando a floresta em pé em um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional.

O estudo também aponta oportunidades associadas ao crescimento das florestas plantadas. A expansão da bioenergia, incluindo o avanço do etanol de milho, tem ampliado a demanda por biomassa florestal utilizada na geração de energia térmica, fortalecendo a conexão entre silvicultura, bioenergia e descarbonização da economia.

Mais do que discutir captura de carbono, a publicação propõe uma visão ampliada sobre o valor das florestas. O documento ressalta que essas áreas desempenham papel essencial na regulação do ciclo hidrológico, na conservação da biodiversidade, na proteção dos solos e na adaptação às mudanças climáticas, tornando-se um elemento estratégico para a segurança hídrica, alimentar e energética do país.

A segunda edição do estudo amplia a análise para todos os biomas brasileiros e reúne evidências, dados e recomendações para fortalecer políticas públicas, atrair investimentos e apoiar a construção de uma agenda florestal capaz de posicionar o Brasil como referência global em soluções baseadas na natureza.

Acesse a publicação completa aqui.

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