O avanço das mudanças climáticas e o aumento da exposição do agronegócio brasileiro a eventos extremos contrastam com um dado preocupante: a redução da área coberta por seguro rural no país.
Nos últimos anos, a queda na contratação do seguro tem sido influenciada por fatores como a redução da subvenção federal, o alto custo do crédito e as margens mais apertadas enfrentadas pelos produtores.
Mas há também um fator estrutural importante: a percepção do seguro como custo. Na avaliação de Leila Harfuch, sócia-gerente da Agroicone, em entrevista ao Valor Econômico, esse entendimento ainda limita o avanço da proteção no campo, mesmo diante de um cenário de risco crescente.
A reflexão é clara: em um ambiente mais volátil, instrumentos de mitigação de risco deixam de ser opcionais e passam a ser parte central da estratégia produtiva.
Fortalecer o seguro rural no Brasil passa não apenas por políticas públicas mais previsíveis, mas também por uma mudança de mentalidade, que reconheça o seguro como ferramenta de proteção de renda e estabilidade para o produtor.